quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Humilhação

Tentaram ser mansas as palavras.
Foram, supostamente, subtis as vozes...
Ela tinha dito não ser capaz.
Não aos domínios, aos objectivos, às estratégias e às grandes metas! Ela tinha a certeza de que tudo seria para desmontar,
Rolar como cabeças num cadafalso...
Como a sua própria cabeça.
Escutou um gargalhar leve, mas firme, cheio de prazer!
Viu, no olhar canino de todos ,
O apetite sábio deste osso que mais ninguém roeu...
Ela baixou a cabeça e fechou-se à raiva.
Sentiu e soube das falhas, dos erros, dos excessos e das confusões...
Admitiu.
Na máscara do sorriso que se quer para tudo na vida
Diluiu a angústia que a minou como uma doença perversa.
Não dormiu.
Maquinou como maquinaram tudo o mais.
Cavalgada de febre, de náusea de si própria.
Exposta, sente-se vazia, transparente, inútil, incompetente!
É a humilhação que queima, dilacera, derruba...
Nesse mar enorme de desesperanças, pretende apagar-se.
Ser nada.
Mais nada.

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5 Comentários:

Blogger isto é espetaculo disse...

SÓ HOJE TIVE OPORTUNIDADE DE VISITAR ESTE BLOG
OS MEUS SINCEROS PARABÉNS POR TUDO O QUE NOS DEIXA
MUITO OBRIGADO POR SER SEGUIDORA DO MEU BLOG
FELIZ NATAL

22 de dezembro de 2008 às 15:45  
Blogger Carolina disse...

Não há que negar!
Escreves e ESCREVES BEM!
Fantástico poema.
bjhs
Eugénio de Andrade diz que:"São como um cristal, as palavras..."
Pois é, nelas se reflectem os "sentires".

23 de dezembro de 2008 às 09:15  
Blogger isto é espetaculo disse...

OBRIGADO PELO SEU COMENTARIO
FICO FELIZ POR SABER QUE A FAÇO FELIZ TAMBÉM
SEMPRE QUE QUEIRA COMENTE-ME,FAREI O MESMO
NAO ESTOU A LIGAR O BLOG AO SEU FOTOLOG? JA A COMENTO NO FOTOLOG?
DIGA-ME QUAL É
BEIJO GRANDE E UM FELIZ NATAL

23 de dezembro de 2008 às 15:55  
Anonymous Anónimo disse...

Foto e poema num equilíbrio cheio de sentido e beleza. Que bela composição e que profundo o que diz, numa forma de dizer que lhe é muito própria. Tão sentida que nos toca,envolve e arrebata mas que simultâneamente sentimos tão longe, como algo inatingível.É assim que sinto a sua escrita. Aproveito para lho dizer a propósito deste poema.
Boas Festas
Juja

25 de dezembro de 2008 às 15:57  
Blogger Banalidades disse...

Obrigada a todos pelas gentis palavras que aqui me deixaram. Fico sempre satisfeita por sentir que as palavras que "jogo" cairam no sentir de alguém...
Obrigada a"Isto é espectáculo "pela atenção que, agora, sempre me dá!
Obrigada, Carolina porque tu sempre vês, na minha escrita, a beleza e a qualidade que, se calhar, não existem...
Obrigada à Juja! Ela apareceu e comentou o meu texto com uma profundidade que quase estremeci... Descobriu-me. Sim, porque, no que escrevo, pretendo ser forte, mas simultaneamente há um distanciamento que se quer imprecisão, indefinição. Nesse espaço, o leitor criará os sentidos que desejar; criará as suas leituras... Quero mostrar-me, mas não quero ser óbvia!
Jinhos! Continuação de Boas Festas!

26 de dezembro de 2008 às 15:08  

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