sábado, 6 de Fevereiro de 2010

Ternura

"Não posso viver sem ternura... É o meu mel!..."
Pepetela, Muana Puó

terça-feira, 2 de Fevereiro de 2010

Lar

"Lar é onde se acende o lume e se partilha mesa e onde se dorme à noite o sono da infância. Lar é onde se encontra a luz acesa quando se chega tarde. Lar é onde os pequenos ruídos nos confortam: um estalar de madeiras, um ranger dos degraus, um sussurrar de cortinas. Lar é onde não se discute a posição dos quadros, como se eles ali estivessem desde o princípio dos tempos. Lar é onde a ponta desfiada do tapete, a mancha de humidade no tecto, o pequeno defeito no caixilho, são imutáveis como uma assinatura conhecida. Lar é onde os objectos têm vida própria e as paredes nos contam histórias. Lar é onde cheira a bolos, a canela, a caramelo. Lar é onde nos amam. "

O Sétimo Véu, Rosa de Lobato Faria

Deixei-te inevitavelmente partir!
Deixaste-me tanto... Rosinha...
Encantos, verdades, recordações,
Emoções! Enredos! Vidas!
Uma dedicatória e um sorriso.
Custa ter de to dizer... Adeus!

segunda-feira, 1 de Fevereiro de 2010

Escrever


- E porque é que ficam calados depois?
- Porque já não têm mais nada de importante para dizer.
Fiquei a pensar na tua resposta: "Ficam calados porque já não têm mais nada para dizer." E fiquei a pensar no que me tinhas dito antes, sobre os "sahraoui". "Como não têm nada, absolutamente nada, poupam tudo. Poupam a água, a comida, as energias, viajando de noite para evitar o calor. Até poupam nas palavras."
- Mas tu não poupas as palavras: tu escreves. Todas as noites gastas horas a escrever um diário nesse teu caderno...
- Escrever não é falar.
- Não? Qual é a diferença?
- É exactamente o oposto. Escrever é usar as palavras que se guardaram: se tu falares de mais, já não escreves, porque não te resta nada para dizer."

No Teu Deserto, Miguel Sousa Tavares

quarta-feira, 27 de Janeiro de 2010

Medo


O medo vai ter tudo pernas ambulâncias e o luxo blindado de alguns automóveis.
Vai ter olhos onde ninguém o veja mãozinhas cautelosas enredos quase inocentes ouvidos não só nas paredes mas também no chão no tecto no murmúrio dos esgotos e talvez até (cautela!)ouvidos nos teus ouvidos.
O medo vai ter tudo fantasmas na ópera sessões contínuas de espiritismo milagres cortejos frases corajosas meninas exemplares seguras casas de penhor maliciosas casas de passe conferências várias congressos muitos óptimos empregos poemas originais e poemas como este projectos altamente porcos heróis (o medo vai ter heróis!) costureiras reais e irreais operários(assim assim) escriturários (muitos) intelectuais (o que se sabe) a tua voz talvez talvez a minha com a certeza a deles...
Vai ter capitais países suspeitos como toda a gente muitíssimos amigos beijos namorados esverdeados amantes silenciosos ardentes e angustiados.
Ah, o medo vai ter tudo tudo (Penso no que o medo vai ter e tenho medo que é justamente o que o medo quer).
O medo vai ter tudo quase tudo e cada um por seu caminho havemos todos de chegar quase todos a ratos!

Alexandre O'Neill (texto adaptado)

domingo, 24 de Janeiro de 2010

Retrato


Nesses dias de casos agoirentos
Nestes dias de céu cinzentos,
Nestes dias de risos parados
Sinto-me em sépia desbotada e baça fotografia.
Quebrada e sem moldura...

domingo, 17 de Janeiro de 2010

Esperança

Numa simbiose em tons de prata, céu e mar entrelaçam-se e estendem-se poderosamente diante de mim. Como uma tela!
Acodem uma fresca viragem que afaga e revigora, um som surdo de ondulação mansa, o cheiro persistente da maresia...
Cresce, dentro de mim, aquela imensidão escamada de luz solitária. Das alturas, parece-me escutar o sopro de Deus. Num lamento de dor, ainda que de esperança.
Assim, quieta, me quedei, fitando o horizonte.

sexta-feira, 15 de Janeiro de 2010

Pensando no Haiti...


"Sofremos muito com o pouco que nos falta e gozamos pouco o muito que temos"

William Shakespeare