terça-feira, 7 de maio de 2013

Hoje




No céu da tarde
Sem princesas nem piratas
Caravelas luminosas
Voam ao lado de borboletas
(multicolores)
e andorinhas de primaveras azuis...

Assim, é a esperança que me povoa!

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domingo, 6 de janeiro de 2013

Ensaios



Na escola sempre houve desde há anos a tradição do teatro. Professores e alunos, retirando os devidos proveitos pedagógicos, gostam de dramatizar alguns textos curriculares ou sem ser, sem esquecer o precioso reportório do nosso prezado Gil Vicente. Têm, assim, sido muitos os trabalhos de encenação/representação que acontecem na escola para satisfação de muitos e, talvez, aborrecimento de outros, porque isto "não há bela sem senão"!
No Natal, no dia dos Namorados, no dia do Patrono, no final do ano ou quando calha e dá jeito, as várias gerações de alunos que vão passando pela escola empenham-se nestas atividades e , retirando muitas horas à sua vida pessoal, num esforço que é premiado pela satisfação de conceber, recriar, representar,  desenvolver capacidades múltiplas e ser aplaudido, mostram à comunidade aquilo que lhes é possível, pois que de um amadorismo muito grande.
Em tempos idos, criaram-se grupos de teatro da escola: " A Pedra", "O Círculo" e o saudoso "Emoções". Mas nesse tempo, havia muito tempo... Os alunos não tinham tantas aulas, tantos apoios, tantos gabinetes de explicação, tantas atividades; tinham a manhã ou a tarde ocupadas com aulas, o que significa que uma parte do dia estava livre para o estudo, para o convívio (que é também necessário!), para o que quisesssem... Foram muitas as tardes ou manhãs que estes grupos de pseudo-atores se reuniam para ensaios. Horas seguidas. Muito trabalho porque mesmo algo muito rudimentar dá sempre muito trabalho!
Agora, a escola considera, com grande naturalidade, que as atividadees teatrais devem ser uma realidade, até porque os alunos do 7º e do 8º anos têm 45 minutos de Teatro! Imagine-se! 45 minutos de Teatro por semana e uma turma inteira. Só quem não faz a mínima ideia do que deve ser uma aula de teatro é que  pode ter pensado nesta aberração. Mas vai-se vivendo, que remédio!
Claro, que há alunos que se interessam, querem muito trabalhar, aprender técnicas, tentar o palco, a representação. Por isso, selecionam-se alguns. Foi o que aconteceu no final deste 1º período.
Mas então, surge o grande problema: como arranjar horas comuns a todos para se trabalhar? Como ter tempo em comum para se ensaiar? Como ter tempo para ensaios, com os horários apertados que alunos e professores atualmente têm?
Apesar de todos estes constrangimentos, persiste-se na ideia. O gosto pelo teatro é soberano e faz-se "das tripas coração". Vão-se fazendo ensaios de um grupo agora, de outro daqui a pouco ou noutro dia... De facto, o teatro tem de vencer!
Assim, já com algum trabalho adiantado, adereços selecionados e preparados,bem como o guarda-roupa, marcou-se, num milagre autêntico, um ensaio geral com TODOS! Finalmente, naquela tarde, todos podíam comparecer e ensaiar simultaneamente ritmos, movimentos, intearções, marcações cénicas, entre outras coisas. Ficou tudo combinado; guarda-roupa devidamente organizado, adereços alinhados; tudo ali no Polivalente da Escola, espaço devidamente equipado, onde se pode proceder com mais à-vontade aos trabalhos de ensaio!
Mas.... Surpresa!!! Não é que inopinadamente, o Conselho Pedagógico resolveu reunir exatamente naquela hora e no referido espaço! E alguém quis lá saber de ensaios ou coisa que o valha?!
Pois foi. Lá se foi o ensaio geral. O que vale é que os alunos  (cerca de 20!) não desanimam e eles mesmo decidiram - "Não há problema, faz-se o ensaio geral e a apresentação de uma só vez. Fica tudo resolvido!"
E assim teve de ser. No último dia de aulas, numa improvisação constante, com entradas e saídas perfeitamente inesperadas, num ritmo que nada tinha a ver com o pretendido apresentou-se o momento de teatro "O Escadote", onde até a neve artificial teimou em não cair... Aconteceu o que aconteceu.
E daqui para a frente não se perspetivam senão situações semelhantes. É pena porque os alunos gostam e fazem tudo sempre com entrega e criatividade. Mas atualmente as condicionantes são muitas e o teatro é uma arte que necessita de dedicação, paciência, persistência, insistência, ensaios e mais ensaios...
Hoje já não há tempo para tanto! Se alguma atividade se fizer, tem  que ser rápida, barata e muito fixe! Que não incomode ninguém! Que não exija nada, muito menos espaço e tempos próprios!
 Ao jeito do  fast food!

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domingo, 30 de dezembro de 2012

Outra vez Natal



Cá estamos nós. Outra vez Natal. O tempo passa rápido e quando menos esperamos aí está ele - o Natal.
Apesar da crise, o Natal continua marcado pelo consumismo, pela corrida desenfreada aos supermercados e às lojas,  numa dependência materialista invencível. Ninguém se lembra do Menino Jesus; apenas o Pai Natal, a Mãe Natal fazem sentido. As crianças, soberbas e de peito feito, exigem brinquedos de determinadas marcas e características porque, caso contrário, estarão fora do círculo dos seus amiguinhos. Pobres brinquedos desfazados das suas vontades, esses nem são abertos; para ali ficam. Talvez nem os retirem das embalagens.
Ouvi uma criança dizer: "Olha, apenas 3 acertaram", o que queria dizer que houve 3 pessoas, que sabendo das suas exigências, lhes compraram exatamente o que esperava receber! Mas numa pilha, ao lado, ficavam as roupas, outros carrinhos, outros jogos... Sem interesse porque essa criança, como tantas outras, tem tudo e, como tal, as prendas só merecem a sua atenção quando são as tais, as especiais!
Falemos agora da ceia de Natal. Mesas fartas, cheias de petiscos deliciosos, onde avolumam as entradas, os patês, os camarões, os panadinhos, as bocas de sapateira, a salada de polvo... Come-se de tudo e com grande avidez. Depois, vem o prato principal: o bacalhau e as couves e todos franzem o sobrolho, pois já nem há apetite! Insiste-se e todos beliscam. Metade vai no prato para deitar fora. A seguir, vem ainda um prato de carne que também se belisca, porque os olhos já se fixaram nas sobremesas... Empanturramo-nos de doces e bolos, mais um copinho de ginginha ou de moscatel...
Quando a meia noite chega, estamos esgotados e é com esforço que permanecemos acordados à espera que o Natal faça a sua aparição.
E a família? Claro, é o mais importante! Mas é sempre o mesmo. Ninguém conversa dois minutos, pois as crianças gritam e interrompem, exigem atenção e é a noite de Natal. Natal das criancinhas. Os velhotes, esses cabeceiam de sono e só respondem por monóssilabos. Os adultos, pais e assim, gostam de se gabar: eles são os melhores, melhores como pais, como esposos, como profissionais; falam dos outros como se de atrasados mentais se tratassem e só eles existissem com o descernimento necessário para fazer girar o planeta!
E os ciúmes? A tia gosta mais do Pedro do que de mim. Nâo. O João é que gosta da tia porque a tia sabe dar bons presentes. Eu nasci primeiro, logo sou o preferido. A avó também sabe que todos os netinhos são excelentes, mas a mais novinha é tão diferente. O avô diz-lhe que aquela é a cara chapada da avó quando ela era nova!
Todos estão entretidos e derretidos. A televisão ligada passa imagens de filmes mágicos a quem ninguém pode prestar atenção! Todos falam e se agitam ao mesmo tempo. Há mesmo uma gritaria que é constante. E as fotos? Uma verdadeira explosão. Todos armados de máquinas sofistificadíssimas  querem captar todo e qualquer momento. Tiram-se fotografia a todos e a tudo. Um gargalo de garrafa, uma fatia de bolo dentada, uma criancinha a espirrar, um velhote de placa a descair, um cesto de fritos e pastéis, uma casca de tremoço... Dá gosto.
Que linda noite de Natal. Que Natal tão suave e harmonioso, no aconchego da família e na curiosidade de um qualquer presente!

Agora, venha a passagem de ano!

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segunda-feira, 9 de julho de 2012

Frágil

Olha,
Há dias em que sou frágil,

Frágil como um copo de cristal 

Noutros mar me liquefaço 
E espuma em despedaço-me aos pés
Do rochedo que fui
E já não sou

Há dias em que sou frágil...

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terça-feira, 26 de junho de 2012

Saudade

Na calma de hoje
tudo estremece e
como se em tantos o mesmo
tempo se tecesse
e as distâncias amanhecessem
duplicadas
estende-se esta saudade
— como uma epidemia —
nas manhãs de todos os dias.

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segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Perdas

O novo ano amanheceu em botão.
Do que se perdeu talvez um grão
De saudade, teias de aranha, poeira.
Do que se irá em breve perder?
Nem isto, nem isto.

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segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Chuvadas

Neste tempo de nuvens carregado
Como se fosse para confirmar sua chegada
Fez-se o inverno em noitágua
Em madrugada-correnteza de enxurrada
E amanheceu em manhã-desamanhecida
(Ainda restos de noite, um véu) em humidade
O silêncio a toldar cidade e vida .

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domingo, 30 de outubro de 2011

Autorretrato

Coreografia dançada
De noite escura e parcas madrugadas
Faz-se a minha alma de bruma e penumbra
É quase sempre derradeira luz
Sobre um deserto de mares infindáveis
Profundos.
Assim eu sou sempre ilha
Jamais a ansiada península
Sempre a pura inquietação e a rara claridade.

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sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Outonos

Manhãs de outono
Chuvosas e frias
E eu aqui
A tricotar verões
Em sonhos de gardénias,
Anémonas, lírios, estrelícias...

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terça-feira, 19 de julho de 2011

Perdição

Entardece no vento que tudo arrasta
Corropios de folhas, lençois que batem no estendal
Cabelos que se enroscam num desalinho de vida
Pouco há neste entardecer povoado de lembranças
Senão o desejo de estar em casa.
Já e tarde....
A noite já se estende à porta e todos os caminhos
Se emaranharam em impossíveis labirintos ventosos
Em nuvens altas agitadas de fúria
Já não há de onde partir tampouco aonde chegar.

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domingo, 1 de maio de 2011

Mãe

Quem me dera pequena, aninhada no teu colo
No calor do teu corpo, no ardor do teu amor!
Quem me dera, segura pela tua mão
Quando, ao Domingo, sem temor
Passeávamos juntas na beira-mar...
Na beira do ser, nas alegrias e nas dores
Sempre tu e eu, repartidas e unidas
Sempre, sempre, nunca e nunca
Separadas, embaraçadas pelas nossas vidas!

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segunda-feira, 11 de abril de 2011

Páscoa

Esta via Sacra devia ser de trevas....
Mas é radiosa a manhã primaveril
E tudo remonta à alegria das crianças
Em correrias abertas nas gargalhadas de luz.
Bom tempo este em que se pode ser feliz
Sem se ter de escolher entre o Inferno e a Ressurreição!
E se não houver ressurreição?

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domingo, 3 de abril de 2011

Primavera

Ela assoma, deita aromas, flores que desabrocham
Húmidas do desejo da chuva que ainda cai...
Nada pedi e tudo perdi.
Então, deixo que se prolongue este Inverno...
Aqui, me isolo aconchegada em branco cobertor.
Só um pouco mais de tempo
Antes que se faça a luz da Primavera
Antes que ela me descortine os sonhos adormecidos
Só um pouco mais de tempo ainda...

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sábado, 12 de fevereiro de 2011

Silêncio

São tantos os ruídos desta hora
Tamanho é o silêncio que há em mim
Nesta hora, escuto os pássaros nos bosques
Nesta hora, escuto velhas canções
Nesta hora, ocorrem-me gestos antigos.
Nada parece vir de mim
Sequer esse olhar que espreito
Agora fitando-me entre ondas de mar alto
Escuto um canto monocórdio
Vejo mulheres gargalhando
Crianças soltas nos risos brandos
São tantos os ruídos desta hora
Tamanho é o silêncio que há em mim .

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sábado, 15 de janeiro de 2011

Desejo

Respiração de polén Sopro de sonho pétala Voando pela noite Desvendando a bruma Avançando na estrada.

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sábado, 27 de novembro de 2010

Frieza

No frio deste dia chuvoso
Não vejo, não ouço : só sinto.
Aquilo que sinto não digo.
Na frieza dos tempos
Será que existo?
Se existo,não ligo.
Disfarço e prossigo
Passo a passo, despeço-me e sigo.

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sábado, 30 de outubro de 2010

Renúncia

Nestes dias de chuva fechada
Aqui, no casúlo deste lar antigo
Cinjo-me de silêncio, de castigo.
Então, como uma estampa de mim
Mergulho na bruma perfumada
Do meu abismo interior sem fim.
Recuso-me à voz clamada.
Dispenso as palavras, o grito.
Enclausuro-me no desejo de ser
Intensamente sem me dar a conhecer.
Só à poesia, só à música permito, muda,
Decifrar-me enquanto a vida se me desnuda...

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sábado, 25 de setembro de 2010

Exclusão

Após a inquieta turbulência,
Exausta, deito-me à margem do dia
Sem viço, sem cor, sem ninguém...
E sonho alheios sonhos d' além
Disfóricos, antigos, sem nexo,
Teias tecidas , sem reflexo.

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quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Contrariedade

Ai este sol de Verão persistente!
Ai esta calma passageira da manhã !
Ai este azul esbranquiçado das ondas!
Ai este pô-de-sol tão morno!
Quero-me pássaro!
E tenho os pés enraizados neste chão.

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quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Epigrama

Os rouxinóis, que aqui andar a esvoaçar
São de papel de crepe: sempre coloridos.
As nuvens, de claras batidas com açúcar.
E eu? De cinza espalhada pelo bafo de ventos já idos.

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