quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Patas de fora!



O meu avô Jacinto já morreu há muitos anos e com oitenta e tal anos. Era um homem simples, do campo e que gostava de me contar histórias e de me ouvir rir.
Havia uma figueira no valado do lado esquerdo do monte que dava deliciosos figos pretos. Nunca comi nada semelhante. Carnudos, doces, frescos porque colhidos pela manhã. Era ele quem mos trazia e, logo ali ao pequeno almoço, me alambanzava com eles. Tão bons, avô! Tão bons...
E sabes porquê, netinha? Porque para tudo há um  milagre. Que milagre, avô? Ora, o milagre da nossa égua. Uma égua que trabalhou  muito, ajudou o avô e quando ficou velhinha morreu, assim como eu hei-de morrer qualquer dia, netinha! Ora, avô... Pois, a égua morreu e sabes onde é que eu e os teus tios a fomos enterrar? Lá no sítio, onde mais tarde se dispôs a figueira! Aquilo foi cá um trabalhão. O buraco teve de ser enorme, pois a Catita era uma bela égua! E depois, quando demos pela coisa, enterrámos a égua de patas para o ar; as quatro patas ficaram de fora. Como cobri-las de terra? Que berbicacho! Dispor a Catita de lado é que era, avô! Sim, mas era cá uma côva que nunca mais acabava e julgas tu que aquilo ali é terra macia? Olha que é so pedragulhos. Uma dificuldade. Então, o que fizeram? Só havia uma solução. Qual, avô? Ora, netinha, desta vez não vais achar graça, mas tens de ver que isto são coisas da vida... Cortámos-lhes as patas e pronto. Assunto resolvido. Lá por causa disso, a terra não refilou e é vê-la cheia de  pasto farto para as ovelhas e a figueira, então já sabes.... Figueira como aquela não encontras em mais lado nenhum.Com cada figo! Parecem feitos de mel!

Ai, ai, as histórias do meu avõ. O certo é que deixei de gostar de figos pretos. Agora, só figo moscatel.

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