domingo, 6 de janeiro de 2013

Ensaios



Na escola sempre houve desde há anos a tradição do teatro. Professores e alunos, retirando os devidos proveitos pedagógicos, gostam de dramatizar alguns textos curriculares ou sem ser, sem esquecer o precioso reportório do nosso prezado Gil Vicente. Têm, assim, sido muitos os trabalhos de encenação/representação que acontecem na escola para satisfação de muitos e, talvez, aborrecimento de outros, porque isto "não há bela sem senão"!
No Natal, no dia dos Namorados, no dia do Patrono, no final do ano ou quando calha e dá jeito, as várias gerações de alunos que vão passando pela escola empenham-se nestas atividades e , retirando muitas horas à sua vida pessoal, num esforço que é premiado pela satisfação de conceber, recriar, representar,  desenvolver capacidades múltiplas e ser aplaudido, mostram à comunidade aquilo que lhes é possível, pois que de um amadorismo muito grande.
Em tempos idos, criaram-se grupos de teatro da escola: " A Pedra", "O Círculo" e o saudoso "Emoções". Mas nesse tempo, havia muito tempo... Os alunos não tinham tantas aulas, tantos apoios, tantos gabinetes de explicação, tantas atividades; tinham a manhã ou a tarde ocupadas com aulas, o que significa que uma parte do dia estava livre para o estudo, para o convívio (que é também necessário!), para o que quisesssem... Foram muitas as tardes ou manhãs que estes grupos de pseudo-atores se reuniam para ensaios. Horas seguidas. Muito trabalho porque mesmo algo muito rudimentar dá sempre muito trabalho!
Agora, a escola considera, com grande naturalidade, que as atividadees teatrais devem ser uma realidade, até porque os alunos do 7º e do 8º anos têm 45 minutos de Teatro! Imagine-se! 45 minutos de Teatro por semana e uma turma inteira. Só quem não faz a mínima ideia do que deve ser uma aula de teatro é que  pode ter pensado nesta aberração. Mas vai-se vivendo, que remédio!
Claro, que há alunos que se interessam, querem muito trabalhar, aprender técnicas, tentar o palco, a representação. Por isso, selecionam-se alguns. Foi o que aconteceu no final deste 1º período.
Mas então, surge o grande problema: como arranjar horas comuns a todos para se trabalhar? Como ter tempo em comum para se ensaiar? Como ter tempo para ensaios, com os horários apertados que alunos e professores atualmente têm?
Apesar de todos estes constrangimentos, persiste-se na ideia. O gosto pelo teatro é soberano e faz-se "das tripas coração". Vão-se fazendo ensaios de um grupo agora, de outro daqui a pouco ou noutro dia... De facto, o teatro tem de vencer!
Assim, já com algum trabalho adiantado, adereços selecionados e preparados,bem como o guarda-roupa, marcou-se, num milagre autêntico, um ensaio geral com TODOS! Finalmente, naquela tarde, todos podíam comparecer e ensaiar simultaneamente ritmos, movimentos, intearções, marcações cénicas, entre outras coisas. Ficou tudo combinado; guarda-roupa devidamente organizado, adereços alinhados; tudo ali no Polivalente da Escola, espaço devidamente equipado, onde se pode proceder com mais à-vontade aos trabalhos de ensaio!
Mas.... Surpresa!!! Não é que inopinadamente, o Conselho Pedagógico resolveu reunir exatamente naquela hora e no referido espaço! E alguém quis lá saber de ensaios ou coisa que o valha?!
Pois foi. Lá se foi o ensaio geral. O que vale é que os alunos  (cerca de 20!) não desanimam e eles mesmo decidiram - "Não há problema, faz-se o ensaio geral e a apresentação de uma só vez. Fica tudo resolvido!"
E assim teve de ser. No último dia de aulas, numa improvisação constante, com entradas e saídas perfeitamente inesperadas, num ritmo que nada tinha a ver com o pretendido apresentou-se o momento de teatro "O Escadote", onde até a neve artificial teimou em não cair... Aconteceu o que aconteceu.
E daqui para a frente não se perspetivam senão situações semelhantes. É pena porque os alunos gostam e fazem tudo sempre com entrega e criatividade. Mas atualmente as condicionantes são muitas e o teatro é uma arte que necessita de dedicação, paciência, persistência, insistência, ensaios e mais ensaios...
Hoje já não há tempo para tanto! Se alguma atividade se fizer, tem  que ser rápida, barata e muito fixe! Que não incomode ninguém! Que não exija nada, muito menos espaço e tempos próprios!
 Ao jeito do  fast food!

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