quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Carnaval



O Carnaval sempre me fascinou. Desde criança, pois que morava em Sines, ia assistir ao cortejo. Os carros alegóricos (desenhados nesses anos por Emmerico Nunes) pareciam-me enormes e maravilhosos. As máscaras misteriosas assustavam-me um pouco... mas aguçavam-me a imaginação. Na 3ª feira Gorda, o Carnaval era a valer com um final destrutivo, em que, para além das bisnagadelas de água, não faltavam os saquinhos de pano colorido, cheios de serradura que eram atirados a todos de todos os lados. Eu apanhava com eles e, apesar do desagradável da situação, adorava, já que os apanhava para com eles depois brincar.
Naquele tempo, tal como agora, os sinienses tinham vaidade no seu Carnaval que durava de Sábado a 4ª Feira de Cinzas com o Enterro do Entrudo, evento que em muito me intrigava, pois a mistura da morte com o humor ainda me fazia confusão! Eram dias em que toda a gente se divertia. Pelas ruas, havia ranchos mascarados que iam a casa de quem conheciam. Era animado, reconhecer aqui e além gente nossa amiga metamorfoseada de cigana, de caçador, de fantasma, de carochinha, de mulher do monte ou outra coisa qualquer!

O Carnaval de Sines este ano teve o seu esplendor. O mau tempo não ajudou, mas o calor de quem o viveu deu e sobejou!

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domingo, 5 de junho de 2011

Aniversário

De mim
Que sou bruma
E noite
Ás vezes lua
Quase nunca madrugada
Ouso falar-te a ti
Que és pedra e rio e sol a pino
Porque neste dia tens a alegria marcada.
Parabéns, uma vida de clara claridade
Claríssima
Clarente

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segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Casamento

Branca, luminosa, fulgurante de sorrisos
A noiva caminha em direcção ao altar.
De um lado e de outro, os convidados, olham-na como a um filme.
Ela olha em frente e caminha muito lentamente.
Vai levada pelo braço de seu pai.
Todos se comovem; até o noivo lacrimeja no altar.
A música é arrebatadora e o Padre abre-lhes os braços.
No chão, desde a entrada, ficou um rasto de rendas e bordados.
Assim, é a babugem da vida.

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sábado, 16 de maio de 2009

Uma em Três

Ele faz bem não continuar depois das cinco, por causa do perigo.
Mas deveria vir logo para casa, trabalhar na gaiola dos pombos, folhear uma revista ou seguir uma série.
Dormitar simplesmente no sofá do hall que eu transformei em saleta e a que chama sala.
Aí bem poderia ele dormitar antes do jantar, e não estaria em perigo.
Mas não, entre as cinco e as sete, o meu marido prefere passar em sítios que eu nem nomeio, e sai de lá com os olhos cheios do brilho do vidro.
O Marido (adaptação), Lídia Jorge

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