Cantiga dos Ais

Os ais de todos os dias Os ais de todas as noites Ais do fado e do folclore O ai do ó ai ó linda Os ais que vêm do peito Ai pobre dele coitado Que tão cedo se finou Os ais que vêm da alma Ais d'amor e de comédia Ai pobre da rapariga Que se deixou enganar Ai a dor daquela mãe Os ais que vêm do sexo Os ais do prazer na cama Os ais da pobre senhora Agarrada ao travesseiro Ai que saudades saudades Os ais tão cheios de luto Da viúva inconsolável Ai pobre daquele velhinho Ai que saudades menina Ai a velhice é tão triste Os ais do rico e do pobre Ai o espinho da rosa Os ais do António Nobre Ais do peito e da poesiae Os ais doutras coisas mais Ai a dor que tenho aqui Ai o gajo também é Ai a vida que tu levas Ai tu não faças asneiras Ai mulher, és o demónio Ai que terrível tragédia Ai a culpa é do António Ai os ais de tanta gente Ai que já é dia oito Ai o que vai ser de nós E os ais dos liriquistas A chorar compreensão Ai que vontade de rir E os ais do D. Dinis Ai Deus e u é Triste de quem der um ai Sem achar eco em ninguém Os ais da vida e da morte Ai os ais deste país! Mendes de Carvalho
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